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O filme “Jogo Justo” (Fair Play), lançado em 2023, chegou à Netflix com uma aura de thriller erótico, impulsionada pela sua estreia no Festival de Sundance. No entanto, a realidade da obra, dirigida e escrita por Chloe Domont, revela-se mais complexa e nuanceada, apresentando um drama intenso com toques de suspense psicológico que, apesar de desviar-se da premissa inicial, não diminui o seu impacto. Este artigo mergulha na análise de “Jogo Justo”, explorando seus méritos, desconstruindo as expectativas e avaliando sua recepção crítica, especialmente em plataformas como o Rotten Tomatoes, buscando entender se o filme faz jus ao hype que o precedeu.

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Jogo Justo: Mais que um Thriller Erótico, um Estudo de Poder e Insegurança

O cerne de “Jogo Justo” reside na dinâmica de poder entre Emily (Phoebe Dynevor) e Luke (Alden Ehrenreich), um jovem casal que trabalha em uma implacável empresa de investimentos. O relacionamento, outrora marcado pela paixão e cumplicidade, começa a desmoronar quando Emily recebe uma promoção inesperada, colocando-a em uma posição hierárquica superior à de Luke. A partir desse ponto, o filme se transforma em uma exploração visceral da masculinidade tóxica, da inveja profissional e das pressões sociais que moldam os relacionamentos modernos.

A narrativa tece uma teia complexa de ambição, insegurança e ressentimento, à medida que Luke, incapaz de lidar com o sucesso de Emily, se torna cada vez mais amargo e manipulador. A atmosfera de tensão é palpável, e o suspense psicológico se intensifica gradualmente, culminando em um clímax perturbador que questiona os limites da sanidade e da vingança.

A Recepção Crítica: Entre a Sedução e a Decepção

Apesar da promessa de um thriller erótico, “Jogo Justo” conquistou uma recepção mista da crítica especializada. No Rotten Tomatoes, o filme ostenta uma pontuação que reflete essa divisão de opiniões. Enquanto alguns críticos elogiaram a direção segura de Domont, as performances convincentes de Dynevor e Ehrenreich, e a abordagem perspicaz de temas relevantes como o sexismo no ambiente de trabalho, outros se mostraram desapontados com a falta de elementos eróticos explícitos e com o ritmo relativamente lento da narrativa.

A crítica mais comum reside na discrepância entre a campanha de marketing, que enfatizava o teor sexual do filme, e a realidade da obra, que se concentra mais no drama psicológico e na análise do poder. No entanto, muitos reconhecem que essa mudança de foco não necessariamente prejudica a qualidade do filme, mas sim o reposiciona como uma obra mais profunda e reflexiva.

O Elenco e a Direção: Pilares do Sucesso de “Jogo Justo”

As atuações de Phoebe Dynevor e Alden Ehrenreich são, sem dúvida, um dos maiores trunfos de “Jogo Justo”. Dynevor entrega uma performance poderosa e matizada, retratando a complexidade de Emily com autenticidade e vulnerabilidade. Ela personifica a mulher ambiciosa que luta para se afirmar em um ambiente hostil, ao mesmo tempo em que tenta preservar seu relacionamento e sua própria sanidade.

Ehrenreich, por sua vez, oferece uma interpretação perturbadora de Luke, capturando a fragilidade e a toxicidade de um homem cuja masculinidade é posta em xeque pelo sucesso da parceira. Sua transformação gradual de um namorado apaixonado para um indivíduo amargurado e vingativo é assustadoramente convincente.

A direção de Chloe Domont é precisa e controlada, criando uma atmosfera de tensão crescente que mantém o espectador grudado na tela. Ela utiliza a câmera de forma inteligente para explorar a linguagem corporal e as expressões faciais dos personagens, transmitindo emoções sutis e revelando as camadas ocultas de seus relacionamentos.

Jogo Justo na Netflix: Um Filme para Pensar e Debater